De que é constituído um óleo essencial?

Como o conteúdo de um frasco tão pequeno pode funcionar para tantas coisas diferentes?

Óleos essenciais (OEs) são provenientes das plantas, sendo os responsáveis por seu aroma. Eles fazem parte do chamado Metabolismo Secundário das plantas. Isso quer dizer que eles não são diretamente responsáveis pelo processo de crescimento, desenvolvimento e reprodução delas.

Durante muito tempo na história não se soube o motivo de algumas plantas produzirem algo do qual aparentemente não precisavam. Somente a partir do século XIX é que essa charada foi desvendada: os OEs são uma forma de comunicação entre a planta e o mundo. O aroma dos OEs em certas plantas tem capacidade de repelir animais nocivos, por exemplo, agindo como defensor químico. Ele também pode atuar atraindo animais importantes para o desenvolvimento do vegetal, como os insetos polinizadores.

Os OEs são obtidos de vários tipos de plantas e de diferentes partes das plantas. Porém há muitas espécies que não possuem OE e outras, como a laranjeira, que produzem até três tipos diferentes de OE. Uma mistura complexa de substâncias (ou compostos, ou moléculas) forma os OEs, sendo que o OE de uma única planta pode conter mais de cem compostos diferentes. E cada composto pode agir de uma forma – ou de várias formas – na interação com os seres vivos.São muitas possibilidades. Pense agora que os tratamentos com base em OEs podem ser de ordem física, mental, vibracional… Imagine então a infinidade de tratamentos possíveis usando-se apenas um óleo essencial!

Um pouco de química

Os compostos mais comuns nos óleos essenciais são os terpenos, ou terpenóides, que são substâncias que derivam das unidades de isopreno (veja a figura). Os compostos terpênicos mais frequentes nos óleos essenciais são os monoterpenos, moléculas relativamente pequenas, com 10 átomos de carbono; e os sesquiterpenos, um pouco maiores, com 15 carbonos. Moléculas maiores e mais pesadas, como os diterpenos, são encontradas normalmente apenas em óleos essenciais extraídos com solventes orgânicos, uma vez que a extração por arraste a vapor carrega somente compostos mais leves.

Exemplos de terpenos. (a) Isopreno, estrutura fundamental. (b) Mentol, um monoterpeno encontrado majoritariamente no limão. (c) Bisabolol, um sesquiterpeno constituinte principal da camomila . (d) Labdano, um diterpeno constituinte majoritário do ládano.

Os monoterpenos são as menores moléculas que compõem os OEs, motivo pelo qual penetram com extrema facilidade em todos os tecidos e células do corpo humano.

Em cada OE sempre há alguns compostos que se destacam por serem encontrados em maior proporção em relação aos outros, são os componentes majoritários. Eles normalmente ditam as características organolépticas do OE, que são aquelas perceptíveis pelos nossos sentidos humanos, como a cor, o cheiro e a textura. Durante a exposição de um ser vivo a um OE, as atividades dos majoritários normalmente são mais destacadas, justamente pela maior quantidade de ativos.

Porém os componentes encontrados em menor proporção, os minoritários, também fazem diferença, e não devem ser menosprezados na hora da escolha de um tratamento com OE. No óleo de limão, por exemplo, o Limoneno é o componente majoritário, chegando a 70% de sua composição. Nos 30% restantes há uma variedade de outros compostos como Citral, Pinenos, Canfeno, Bergapteno, Terpinenos, Mirceno, Linalol, Geraniol e Citronelol, entre outros, que agindo todos em conjunto são extremamente eficientes na desobstrução de vasos sanguíneos, tratando e prevenindo vários problemas vasculares, algo que o Limoneno sozinho não faria com tanta maestria.

Deu pra perceber por que os OEs são tão fantásticos? Eles são extremamente complexos, com cada um de seus compostos agindo por si e todos em sintonia. Nos tratam em vários planos ao mesmo tempo, com uma infinidade de benefícios possíveis.

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Bibliografia

TAIZ, L. & ZEIGER, E. Fisiologia Vegetal. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

SIMÕES, C.M.O. et al. Farmacognosia: da Planta ao Medicamento. 5 a ed. Porto Alegre: UFRGS/EDUFSC, 2005.

WATERMAN, P. G. The chemistry of volatile oils. In: HAY, R. K. M.; WATERMAN, P. G. Volatile oil crops: their biology, biochemistry and production. Harlow: Longman Scientific, 1993.

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