Série Bê-á-bá da Aromaterapia | Quarta parte: Os óleos essenciais no organismo

Olá. Essa é a quarta e última parte dessa série especial que preparamos para você, iniciante na aromaterapia. Lembrando que o objetivo aqui é o de trazer informações básicas e simples para que você comece a inserir os óleos essenciais de forma segura e eficiente no seu cotidiano.

Caso você tenha perdido algum capítulo, comece por aqui.

Vamos então à última rodada de perguntas e respostas:

 

Como o óleo essencial age no meu corpo?

Existem três rotas possíveis para as moléculas odoríferas:

a) Através do cérebro: O aroma entra pela cavidade nasal e chega ao conjunto de estruturas cerebrais responsáveis pelas nossas emoções, chamado de sistema límbico. Com isso há um estímulo à fabricação de neurotransmissores, que levam vários tipos de “ordens” para o resto do corpo;

b) Através dos pulmões: O aroma é inalado, e parte dele vai para os pulmões, que através dos alvéolos levam os componentes químicos dos óleos essenciais para a corrente sanguínea.

c)Através da pele: Os óleos essenciais atravessam o manto hidrolipídico que recobre a pele e penetram através das camadas epiteliais. Em poucos minutos uma boa porção dele já está na corrente sanguínea.

Dentre todas as opções, qual a melhor base para aplicação terapêutica dos óleos essenciais?

Os óleos vegetais são ótimas opções de base/carreador, fáceis de usar e muito eficientes.

Isso porque os óleos vegetais, além de diluir o óleo essencial para evitar possíveis alergias e queimaduras na pele, não causam efeito tamponante de poros. O óleo vegetal, por sua alta compatibilidade com a pele humana, também funciona como o melhor veículo para a penetração dos óleos essenciais, seguido pelos cremes e outras emulsões e depois pelos géis e elixires alcoólicos.

 

Quanto tempo o óleo essencial permanece no meu organismo?

Formados basicamente por terpenos e derivados terpênicos, os óleos essenciais (OEs) penetram facilmente na pele e rapidamente se espalham pelo interior do corpo.

Para pesquisar como se dá essa absorção dos OEs no corpo, investigou-se a penetração do OE de lavanda diluído em óleo vegetal aplicado em massagem1. Em cinco minutos, traços de linalol e acetato de linalila foram detectados no sangue, eles são os componentes majoritários desse óleo essencial. Após 20 minutos do início da massagem, foi determinada a maior concentração desses compostos no corpo. Em 90 minutos, boa parte do óleo essencial já havia sido eliminada.

Porém, os monoterpenos, que são as menores moléculas presentes nos óleos essenciais, podem permanecer por até três dias no corpo2. Isto significa que, para obter os benefícios da aromaterapia, não é necessário utilizar formulações com óleos essenciais diversas vezes ao dia. Caso haja exagero nas dosagens, o que pode acontecer a médio e longo prazo é o desenvolvimento de lesões no fígado ou rins, causadas pelo excesso de trabalho desses órgãos para metabolizar os excessos.

Como os óleos essenciais chegam ao corpo inteiro?

Os óleos essenciais são lipossolúveis, ou seja, eles se solubilizam em gordura. E nós temos muita gordura no nosso corpo, a começar pela pele, que naturalmente possui uma camada de sebo. Então não há barreiras em nosso corpo para que os óleos essenciais se espalhem e ajam de forma rápida e eficaz.

Quando utilizamos os óleos essenciais na massagem ou na forma de um creme para os cuidados do dia a dia, eles penetram através das células, passando pela epiderme, derme e hipoderme com muita facilidade.

A permeação de certos componentes dos óleos essenciais é tão intensa, que atualmente já existem medicamentos que se utilizam dessa capacidade para funcionarem melhor3,4. Esses componentes de fácil permeação, certos monoterpenos presentes nos óleos essenciais, são utilizados para “abrir caminho” de fármacos usados via tópica, e conseguem carregar os princípios ativos para o interior do corpo de forma mais eficiente.

Contraindicações dos óleos essenciais

Embora seja uma terapia natural e segura, quando indicada por um aromaterapeuta qualificado, é importante tomarmos alguns cuidados quanto às principais contraindicações dos óleos essenciais.

Fototoxicidade → alguns óleos essenciais causam queimaduras na pele quando em contato com a luz solar. Basicamente, são os cítricos: bergamota, limão, grapefruit e laranja amarga.

Obs.: Os óleos essenciais de laranja doce e tangerina não possuem quantidades suficientes de furanocumarinas para desencadear queimaduras por exposição solar.

Gravidez e lactação → Consulte um aromaterapeuta. A maior parte dos óleos essenciais é contraindicada, mas os liberados podem ajudar muito nesse período! Alguns óleos possíveis para o uso por gestantes são camomila romana, bergamota, cardamomo, cedro atlas, lavanda, lemongrass, laranja doce, limão siciliano, tangerina, tea tree e patchouli.

Pressão Arterial Alta → Não tenha contato com óleos essenciais de alecrim, canela, cravo, eucalipto, hortelã pimenta e gengibre.

Epilepsia → Devem ser evitados os óleos essenciais que afetam diretamente o sistema nervoso: alecrim, canela, cravo, erva doce, eucalipto, hortelã pimenta e sálvia.

Homeopatia → Não utilizar: alecrim, eucalipto e hortelã pimenta.

Bebês e Crianças→ Deve-se aumentar a diluição no uso dos óleos em bebês ou crianças, utilizando apenas óleos essenciais seguros (sem contraindicações).

 

 

Pode haver interação medicamentosa com óleos essenciais?

Interação medicamentosa é um evento clínico em que os efeitos de uma substância são alterados pela presença de outra substância, que pode ser um fármaco, alimento, bebida e alguns óleos essenciais.

Estas interações constituem causa comum de efeitos adversos, por isso todo aromaterapeuta deve ter o conhecimento de que não é permitido usar óleos essenciais e determinados medicamentos ou bebidas alcoólicas no mesmo dia. A combinação destes pode aumentar ou diminuir o efeito do medicamento/bebida ou do óleo essencial. E pode haver ainda o aumento da toxicidade de ambos.

Um exemplo de interação de efeito é o uso de óleo essencial de alecrim durante o dia por inalação e a noite ingerir uma pequena quantidade de bebida alcoólica. Isso pode ser o suficiente para causar enrijecimento muscular, palpitação, angústia, aumento da pressão arterial, dificuldade para dormir e apneia.

Conheça alguns dos óleos essenciais que interagem com medicamentos:

  • Alecrim, eucalipto e hortelã pimenta – interagem com nicotina, medicamentos anti-hipertensivos, anticonvulsivantes, antidepressivos e outros que atuam no sistema nervoso central;
  • Bergamota, cipreste, elemi, erva doce, grapefruit, laranja doce, laranja amarga, limão siciliano e tangerina – interagem com nicotina;
  • Canela, cravo e gengibre – interagem com anticoagulantes, antidiabéticos, anti-hipertensivos;
  • Erva doce, canela, cravo, gengibre e manjericão – interagem com paracetamol;

– Todos os óleos essenciais interagem com bebidas alcoólicas causando danos ao fígado. Por isso muito cuidado!

 

E encerramos por aqui essa série, que gostamos muito de produzir. Para desenvolver esse conteúdo nos baseamos em textos antigos aqui do blog e principalmente nas dúvidas que vocês nos mandam por aqui.

Agora queremos saber de você. Esse conteúdo foi útil? O que mais você gostaria de ver por aqui? Fala pra gente!

 

Referências:

  1. JAGER, W.; BUCHBAUER, G.; JIROVETZ, L.; FRITZER, M. Percutaneous absorption of lavender oil from a massage oil. j. Soc. Cosmet. Chem. 1992; 43:49-54.
  2. D. V. Parker, K. H. M. Q. Rahman, and R. Walker, The absorption, distribution and excretion of linalool in the rat, Biochem. Soc. Trans., 2, 612-615 (1974).
  3. ABDULLAH, D.; PING, Q.; LIU, G. Enhancing the effect of essential oils on the penetration of 5-fluorouracil througt rat skin. Yao Xue Xue Bao. 1996; 31(3):214-21.
  4. CASEY, A.L. et al. Enhanced chlorhexidine skin penetration with 1,8-cineole. BMC Infect Dis. 2017; 17: 350.



Textos originais por Daiana Petry,
Reedição por Cristiane Corrêa, junho de 2019